Assisti à pouco na internet uma entrevista do Bruce Lee. Fiquei impressionado com a lucidez e sabedoria desse ser-humano. O cara era muito foda, eu não fazia idéia. E ele disse algumas coisas que me fizeram refletir bastante a respeito do treinamento para ser autêntico (no caso dele utilizando a arte marcial, mas pode-se extender o entendimento à qualquer treinamento que nos torne mais autênticos).
Uma das coisas que ele diz que me fez refletir foi de que nós temos o instinto natural e o controle racional, e cada um desses ao extremo nos leva à posições não saudáveis, a primeira nos leva a ser fracos, vulneráveis e volúveis a qualquer vontade que surja, já que a fonte de desejos é inesgotável, e a segunda nos torna robôs mecanizados, sem acesso aos nossos desejos, e a medida está em alcançar um controle natural ou instinto racional, que nos levaria à um patamar de expressão competente dos nossos desejos naturais, fluindo sem esforço por uma confiança inabalável na razão e no instinto.
O caminho para essa confiança interna é o autoconhecimento. O autoconhecimento é a chave para uma vida mais inteira, e consequentemente, mais feliz, pois nos aproxima dos nossos desejos autênticos, nos mostra quem somos, e nos dá o poder de construção da própria realidade. Quanto mais fundo mergulhamos em nós mesmos, mais percebemos o que somos e o que podemos ser, percebemos o quão grande ou o quão pequenos podemos escolher ser, assumindo de fato as rédeas da própria vida.
Todo o conhecimento é no fundo uma forma de autoconhecimento pois todo o conhecimento nos forma e nos transforma, e ao sermos transformados somos lançados um degrau acima do que éramos, e nessa construção somos levados à refletir sobre a diferença entre que fomos e o que nos tornamos. Geralmente chegamos à essas reflexões naturalmente de forma mais apurada em idade avançada.
Mas o mais bonito é que não precisamos esperar até o fim da vida pra começar a constuir um conhecimento sólido acerca de nós mesmos. Podemos começar agora, e existem várias maneiras para se chegar ao Eu. Pode ser através da meditação, do estudo do ser humano, da exploração do próprio corpo, do contato autêntico com o outro, da construção de intimidade, da contemplação da natureza, da vida vivida com prazer, da espiritualidade vivida com o coração...
Existem infinitas maneiras de construirmos um caminho, o que importa é fazer desse caminho ao Eu uma experiência humana, no sentido mais belo que essa palavra pode ter. E sejamos felizes, cada um no seu caminho, estando dispostos a dar a mão aos nossos companheiros de existência que por ventura cruzem conosco para nos acompanhar nessa bela estrada. Boa viagem irmãos!
Link da entrevista pra quem quiser assistir!! (em inglês)