2/19/2011

A Testemunha!


"Relaxe sua mente. Relaxe sua mente e se expanda, misturando-se com o céu a frente. Então observe: as nuvens flutuam no céu, e você está consciente delas sem esforço. Os sentimentos flutuam pelo corpo, e você está consciente deles, também sem esforço. Os pensamentos flutuam pela mente, e você também está consciente deles. A natureza flutua, os sentimentos flutuam, os pensamentos flutuam... e você está consciente de todos eles.

Então me responda: Quem é você?

Você não é seus pensamentos, pois está ciente deles. Você não é seus sentimentos, pois está ciente deles. Você não é nenhum dos objetos que possa ver, pois está ciente de todos eles.

Algo em você está consciente de todas as coisas. Então me responda: O que existe em você que tem consciência de tudo? O que em você está sempre desperto? Sempre totalmente presente? Algo em você exatamente agora observa tudo que surge sem esforço. O que é isso?

Essa infinita consciência testemunhadora, você não a reconhece?

O que é esta Testemunha?

Você é a Testemunha, não é? Você é o puro Observador, a pura consciência, o puro Espírito que testemunha tudo que surge com imparcialidade, momento a momento. Sua consciência é espaçosa, completamente aberta, vazia e clara e, ainda assim, registra tudo que surge.

Essa verdadeira consciência é Deus imanente, olhando para o mundo que Ele criou."

(Do fantástico livro: "Boomerite" de Ken Wilber)

2/15/2011

Sadhu, Sadhu, Sadhu



Nunca pensei que iria sentir falta de ficar calado, de sentir dor por ficar sentado em posição meio-lótus quase o dia inteiro, de tomar banho frio, de acordar as 4:30 da manhã, de ficar completamente sóbrio, de ficar sem comer carne e tantas outras coisas.

Faz uma semana que voltei de um curso de Meditação Vipassana em Miguel Pereira-RJ e posso dizer que foi uma experiência que ficará marcada na minha vida, e que pretendo repetir em breve.

Quem pensa que um curso de meditação é parecido com um SPA, relaxante, zen, tranquilo, se engana profundamente. É um curso hardcore de guerreiro da mente, essa é a melhor descrição que posso dar. É um treinamento em que o cenário é a selva escura da sua própria alma, ambiente tão próximo e ainda assim tão desconhecido.

Algo que escrevi pra dizer do indescritível vôo pra dentro:

Parado. Sensações por cada poro do corpo, sensações sutis, outras nem tanto, uma coceira, uma dor, uma dormência. Uma coisa aqui, outra ali, uma mudança de fluxo, uma mudança em curso.

Da cabeça à ponta dos dedos dos pés, da ponta dos dedos dos pés à cabeça, e nesse intervalo de tempo do agora nada mais é o mesmo.

Sinto todas as sensações do topo da minha cabeça, vou à face, passou! Tudo muda o tempo todo, é passado, não existe. O tempo sempre foge aos sentidos.

A busca do presente é nossa busca mais incessante. Queremos e desejamos mais do que tudo viver o presente e esse desejo é futuro. Nos lembramos de um presente vivido e essa lembrança é passado. Rolamos e rolamos, alterando entre passado e possíveis futuros. E assim vemos as experiências passadas moldando nosso futuro e o futuro contando de forma explícita nosso passado.

E no meio desse furacão está o intangível, o impermanete, o tudo e o nada, o preto e o branco, o alfa e o ômega AGORA!

O agora é a única verdade que existe, a única divindade que pode ser apreciada.

O agora é um papel e uma caneta, o agora é um corpo nú, o agora é um orgasmo infinito, dor e prazer num êxtase inominável, o presente é e não é.

O presente é simples: abra os olhos!

*Post dedicado à todos aqueles que compartilharam essa experiência comigo! Que todos os seres alcancem a paz, alcancem a felicidade e se libertem!

2/14/2011

A desconstrução da desconstrução


Chegamos a um ponto de pensamento onde tudo é questionado, e mais, tudo é desconstruído, todos os conceitos relativizados, e nesse ponto nada mais é necessário, nada é real, tudo se sustenta no fio da navalha. É fácil a partir desse ponto cair em direção à um niilismo e um hedonismo (mal interpretado, vide: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hedonismo) sem limites pois todos os freios são cortados, todas as correntes se quebram e não há mais nada para refrear os impulsos instintivos do humano.

É necessário chegando a esse ponto de extrema crise, termos um plano, uma meta, algo maior do que nós mesmos para irmos além dessa desconstrução, além de todo esse vazio existencial, e por isso é tão importante nesse momento as práticas de meditação e discussão filosófica, pois essas ferramentas nos dão base para irmos além, para a construção do novo humano, do novo pensamento e da nova sociedade integral, segundo a idéia de Wilber (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ken_Wilber).

Experiências em geral nos levam à outras perspectivas de vida, experiências que podemos nomear “viagens”, de todos os tipos: meditação, o uso dos chamados “enteógenos” (substâncias psicoativas) ou a própria viagem física realizada em modo de imersão na experiência, nos fazem ver novas possibilidades, e nesse momento de transcendência de valores, penso que o mais importante é esse vislumbre de novas maneiras de viver, como indivíduos, grupo, sociedade e humanidade.

E a desconstrução é tão legal que é, ela mesma, a ferramenta para sua própria superação, que é a desconstrução da própria desconstrução. O caminho natural para uma postura ultra-relativista é o seu próprio fim, porque uma teoria que define que tudo é relativo não pode ser, de maneira alguma, absoluta.

Acho que a grande beleza do pluralismo relativista* é a possibilidade de demolir tudo e começar uma construção do zero, em outras bases. Mas a sua atuação se restringe à isso, uma POSSIBILIDADE de transcendência, pois sempre há o risco de demolirmos tudo e começarmos uma nova construção sobre bases erradas, talvez ainda piores do que as construções antigas, ou mesmo cair num limbo desconstruído pra sempre, não havendo construção nenhuma, vivendo sobre os escombros de um mundo rejeitado.

Portanto, exploremos novas possibilidades de existência, busquemos mais a vida experienciadora de novas possibilidades, utilizemos as ferramentas que hoje nos são disponíveis para a viagem além de nós mesmos, com uma finalidade em mente: compartilhar e oferecer ao mundo novas formas alternativas de nos organizar e construir uma vida que seja digna de ser vivida por todos.

* Mais sobre a má interpretação do relativismo pode ser encontrado numa palestra de Mauro Almeida, na pag: www.revistapesquisa.fapesp.br

Do Suicídio

Hoje* um cara se matou no meu trabalho, ele entrou no vestiário, amarrou uma corda em seu pescoço, passou a corda em volta da janela, se dependurou e segurou a corda até morrer… Fiquei pensando em que tipo de sentimento leva uma pessoa a fazer uma coisa dessas, o que se passava em sua cabeça? Será que é uma coisa tão distante assim de nós?

Como trabalho em um hospital, há a área da patologia, para onde são levados os corpos, e o corpo desse funcionário foi levado pra lá, e foi deixado em uma maca na primeira sala da patologia, e muitos funcionários foram até lá para ver quem era o morto, quem seria aquele que havia se suicidado. Alguns queriam lembrar quem era, outros confirmar se era quem achavam que era, outros queriam ver como ele havia ficado depois de morto. O que é isso? Que sentimento é esse que nos leva a querer ver uma pessoa que acabou de suicidar?

Fui lá, vi o morto, sensação muito ruim, vi e logo fui embora, não queria ficar ali, mas muitos ficaram lá conversando perto do corpo, lembrando onde o cara ficava, o que fazia, como ele era… e fazendo cara de luto, pena, como se estivessem realmente sentidos com o que havia ocorrido, e talvez estivessem mesmo, talvez não.

Eles diziam que ele tinha cara de mau-encarado, que olhava toda mulher que passava, eu não me lembrava muito dele, nem o reconheci num primeiro momento, depois só me lembrei que era um cara que ficava na porta do vestiário (no qual morreu) olhando as pessoas passarem para ir almoçar, quase todos os dias ele estava ali, e como eu almoço sempre no hospital devo tê-lo visto várias vezes, mas não sei porque não me lembro dele, se eu já cheguei a trocar um “Oi” que seja, acho que não.

Me fez lembrar outro cara, também funcionário do hospital que havia também se suicidado a alguns anos atrás, também enforcado. Desse eu me lembro, sujeito muito gente boa, muito tranqüilo, quando fiquei sabendo que ele havia se matado algo não se encaixou na minha cabeça, até hoje não consigo entender, e acho que nunca irei. Era um cara daqueles com conversa agradável, fizemos um curso juntos dentro do hospital, conversamos algumas vezes, ele era alegre, divertido, não era muito foco das atenções, mas também não passava desapercebido, isso foi o pior, pra mim parecia um cara extremamente equilibrado, e quem pode dizer que não?

Um colega meu comentou: “-Nossa, é muita coragem né?”… Eu queria dizer que não, que é covardia fugir da vida e não sei mais o que, mas diante do fato ali estampado na cara me calei, diante do morto se cala. Covarde? Coragem? Não sei… Apenas uma escolha, difícil e triste escolha de ir embora do mundo por opção.


* Texto antigo, já tem quase um ano que isso aconteceu. Quis postar pra resgatar de um outro blog antigo..

Do "Mal" nasce o bem, e do bem nasce o bem!


As coisas acontecem, de repente você está muito bem, sua vida apresenta uma certa estabilidade e você surfa por ondas tranquilas, velhas conhecidas, nas quais temos perfeito dominio de toda a situação, estamos no comando e nada pode nos abalar, pensamos. Mas que engano... Em um segundo, ou menos, tomamos uma decisão que muda todo o rumo da nossa história, às vezes tomamos essa decisão inconscientemente (99%) das vezes, e aí julgamos que a vida, ou Deus, ou alguém, ou alguma coisa... destruiu a nossa estabilidade, e praguejamos, esperneamos, nos revoltamos, e aí?? Nada.

Tem horas em que temos que adimitir que não sabemos o que é melhor pras nossas vidas, pelo menos não conscientemente, e assim, devemos cada vez mais buscar um auto-conhecimento para sofrermos menos quando fizermos essas escolhas que nos desestabilizam e aceitarmos com mais sabedoria os "desafios" da vida.

A vida é muito maior do que imaginamos, e muito maior do que nossas pequenas dores, que julgamos como dores, mas que na verdade não são mais do que processos naturais do ciclo que escolhemos para nosso proprio desenvolvimento. Não que devamos ser falsos e não nos permitir sentir o que sentimos na hora em que sentimos alguma coisa, mas é simplismente aproveitar os momentos de escuridão para revelar a luz, de forma autêntica e sem falso moralismo ou demagogias.

Devemos aprender a fazer as coisas boas para nós mesmos, não porque a religião, ou a moral, ou a lei, ou a família, ou os amigos falam que é correto, mas sim porque certas atitudes nos deixam em paz conosco mesmo e outras não. Simplismente por isso, e não é porque ficamos com a consciência tranquila, de irmos para o céu ou qualquer outra bobagem... há coisas que nos deixam leves no aqui e agora, nessa vida e não em outra, e há coisas que nos deixam mal, como sentir raiva, ódio, pensar ou falar coisas negativas sobre alguém, coisas que nos tiram o sono, ou o que seja, isso faz mal só e tão somente para nós mesmos, e para o universo inteiro, porque nós somos o universo.

Então é isso, faça o que te deixa bem, e o resto, é resto...

Não somos vítimas de nada!

O momento logo antes do nascer do Sol é o momento de maior escuridão... do "mal" nasce o bem, e do bem nasce o bem!

Paz e amor!!!

11/13/2007

Quem disse que é fácil ser Deus??


(Post antigo, do outro blog, mas tá aí!)

Tem dias em que a gente se desespera e cai naquela armadilha que fizemos pra nós mesmos...

O bom é entender algumas coisas sobre nós mesmos e errar, perceber que erramos e continuar errando ainda mais um tempo até a vida te dar uma rasteira e a gente cair de boca no chão... aí esperneamos, reclamamos da vida, e falamos que Deus não é justo e que ninguém nos ama, essa baboseira toda. Mas no final das contas quem continua criando a onda negra somos nós mesmos.

Então essa tal liberdade é pior do que eu pensava, e ser o deus da própria vida não é tão simples assim. Já pensou se Deus (um Deus antropomorfo mesmo, de barba branca e tudo mais) ficasse em dúvida? Porque segundo algumas tradições Deus cria pela vontade, pela "palavra" ou simplesmente por manifestação de pensamento, como preferirem. Agora imaginem Deus com uma dúvida cruel acerca de qualquer pormenor da criação...

Agora pense se Deus quisesse que toda sua criação fosse feliz. O que ele poderia fazer? Bem, se eu pudesse criar vida e quisesse que minhas criaturas fossem felizes eu simplismente os daria autonomia, porque é impossível satisfazer a vontade de todos tiranicamente, pela vontade de Um só.

Imagine-se jogando The Sims, se houvesse um botão: -Façam o que quiserem (Livre-arbítrio), e arquem com as consequências dos seus atos (Lei da Causa e Efeito). Pois não existe justiça e confiança maior do que acreditar na capacidade de cada um de resolver seus próprios problemas... digo isso em uma escala de eternidade, no caso de alguém pensar ser injustiça divina a fome, miséria, guerras e etc... Porque tudo é uma consequência do que nós fazemos, tudo é consequência de como a humanidade como um todo vive.

E as coisas começam do pouco que a gente faz e do que a gente cria para nossa própria vida, e o que nos leva a criar merda para nossa própria vida?? Medo, dúvida, egoísmo... The dark side of the power, é isso... simplismente isso.

Fácil ser feliz?? E quem disse que é fácil ser deus???

Don´t worry, be happy...May the force be with you!

7/19/2006

Quem sabe, sabe, quem não sabe, não sabe!

O que Nietzsche , Krishnamurti, Jhon Lennon, Buda, Jesus Cristo e outros grandes homens têm em comum?

Primeiramente, cada um deles era completamente diferente um do outro, e não só um do outro, como diferentes de todos os outros homens de sua época ou de qualquer outra época, foram ORIGINAIS!

Todo mundo tende a escolher um padrão de pensamento para sua vida, aceitando e acolhendo esse padrão, (seja ele uma pessoa, um guru espiritual, seus pais, os valores morais da sociedade, uma religião, um grupo de amigos...) como um norte para as respostas para o mundo, e é essa nossa vida, perguntas e respostas, escolhas de caminhos a cada milésimo de segundo, e vamos construindo e andando sem saber onde vamos parar, e sem pensar nisso.

Todo mundo faz a mesma coisa! Ninguém É o que É! E temos medo, vergonha ou qualquer coisa que nos impede de sermos o que somos realmente, que nos faz vestir essas máscaras maravilhosas que colocamos e trocamos como nos convém.

Assim a gente pode ser "O bom filho" em casa, "O moderninho" no trabalho, "O lokão" para os amigos, "O destemido" para a namorada, e assim por diante, personagens que vamos cultivando e aprimorando com os anos, e vamos nos escondendo de nós mesmos, por isso temos medo do escuro, medo de ficar sozinhos, medo da morte... porque nos vem a idéia, será que sozinho eu vou me encontrar?? será que no escuro eu vou me ver?? será que na morte será só EU??

Então, morte à tudo aquilo que não me deixa seu eu mesmo. Não à convenção e não à contravenção!! Não às drogas e não à beatitude!! Não à Deus e não ao diabo!! Não à religião e não à descrença!! Não à tudo que existe!! Não à tudo que não sou EU!